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Ninguém confunde, morfologicamente, um chimpanzé com um ser humano. E, no entanto, a diferença média entre as duas espécies em nível nucleotídico – da unidade do DNA, o material genético – é de apenas 1,2%. É verdade que quando se examina um tipo específico de variação no DNA – inserções ou acréscimos/deleções ou perdas – a diferença aumenta, mas não muito (3%).
Saliente-se, porém, que há ampla variação no grau de divergência entre as duas espécies em diferentes regiões homólogas – de mesma origem – dos dois genomas. Particularmente com relação aos cromossomos sexuais, enquanto o X apresenta bastante uniformidade, o Y mostra, ao contrário, muitas diferenças.
Um dos desenvolvimentos mais notáveis da genética molecular atual é poder estimar, a partir do grau de diferenciação existente entre duas espécies e de eventos independentes, datáveis, a época em que essas duas entidades se separaram no passado.
E avaliações recentes calculam que as linhagens evolutivas que deram origem respectivamente aos seres humanos e aos chimpanzés devem ter se separado entre 7 milhões e 5 milhões antes do presente. Aparentemente o processo foi complexo, tendo havido após o início da separação eventos de hibridação entre as duas linhagens.
Desde a publicação da obra seminal de Charles Darwin (1809-1882) A origem das espécies, em 1859, sabe-se que o fator principal que condiciona esses eventos evolucionários é a seleção natural. E uma análise por grandes categorias funcionais das diferenças entre as duas espécies que devem ter sido causadas pela seleção positiva – inovadora – forneceu os seguintes resultados (em %):
(a) imunidade: 66;
(b) percepção sensorial: 22;
(c) gametogênese: 8;
(d) interferência na divisão celular: 4.
Curiosamente, nesta análise, os genes envolvidos em atividades cérebro específicas não pareciam ter evoluído mais rápido em humanos que em chimpanzés. Outro estudo, no entanto, restrito às seqüências de DNA não-codificadoras de proteínas que se mostraram conservadas ao longo da evolução, revelou ritmo acelerado de mudança – mas nas duas linhagens – em regiões próximas a genes envolvidos na adesão de células neuronais.
Continua
criado por S.Bernardelli
22:28:34