Astronomia E Os Mistérios do Universo e da Vida

“A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É esta a emoção fundamental que está na raiz de toda a ciência e arte". (Alberto Einstein).

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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008, 03

02.04.08

A mudança climática depois de Bali

BRUCE GILBERT/EARTH INSTITUTE; MATT COLLINS

A mudança climática depois de Bali
Façamos as contas: novas tecnologias com preços acessíveis podem evitar o aquecimento global e promover o crescimento.
Por Jeffrey Sachs 

O acordo feito em Bali no último mês de dezembro, para iniciar uma negociação de dois anos a respeito da mudança climática, foi uma boa notícia, um raro exemplo de cooperação internacional em um mundo aparentemente preso a uma espiral de conflitos.

Os cínicos podem dizer que a única conquista foi um acordo para conversar mais sobre o assunto, e seu cinismo pode vir a se confirmar. Ainda assim, a crescente compreensão de que medidas sérias de controle climático são possíveis a custos modestos é bem-vinda.

A aritmética está ficando mais clara. Se as nações ricas continuarem a ter renda crescente e as pobres sistematicamente reduzirem a desigualdade através do desenvolvimento bem-sucedido, por volta de 2050 a economia global poderá ter crescido seis vezes e o uso de energia, perto de quatro vezes.

As emissões antropogênicas atuais de dióxido de carbono (CO2) giram em torno de 36 bilhões de toneladas por ano, das quais 29 bilhões são resultado da queima de combustíveis fósseis e processos industriais, e outros 7 bilhões, aproximadamente, são decorrentes do desmatamento tropical.

Grosso modo, cada 30 bilhões de toneladas de emissões aumentam os níveis de CO2 em cerca de duas partes por milhão (ppm). A concentração atmosférica atual do CO2 está próxima de 380 ppm, tendo partido de 280 ppm no início da era industrial, em 1800.

Assim, para atingir 440 ppm na metade do século – nível plausivelmente “seguro”, em relação a suas prováveis conseqüências para a mudança do clima, mas apenas 60 ppm maior que o nível atual – as emissões cumulativas precisariam se manter em cerca de 900 bilhões de toneladas, ou algo como 21 bilhões de toneladas por ano, em média, até 2050.

Essa meta pode ser atingida com o fim do desmatamento – em termos líquidos – e um corte de um terço nas atuais emissões resultantes de combustíveis fósseis. Aqui está o desafio.

Será possível que a economia mundial utilize quatro vezes mais energia primária ao mesmo tempo que diminui as emissões em um terço?

Continua

A mudança climática depois de Bali

A questão, em termos aritméticos, é reduzir as emissões de CO2 por unidade de energia primária para cerca de um sexto de seu nível atual. Isso pode parecer uma tarefa intimidante, mas na verdade é perfeitamente possível. Vamos nos lembrar que cerca de 80% do uso total de energia virá de um número pequeno de tipos de fontes: a produção elétrica (40%), veículos (25%), indústria pesada, inclusive a de cimento, indústrias petroquímicas, de refino e de aço(10%) e aquecimento de edifícios (10%).

Uma estratégia central promissora parece ser a seguinte: a eletricidade precisa tornar-se virtualmente livre de emissões, por meio da mobilização em massa de energia solar e nuclear, e da captura e aprisionamento do dióxido de carbono de usinas a carvão. Com uma rede elétrica limpa a maior parte das outras emissões também pode ser controlada.

Em menos de uma década automóveis híbridos recarregáveis na rede provavelmente farão 40 km por litro. A eletricidade limpa poderia produzir hidrogênio para veículos movidos com células de combustível e substituir aquecedores e fornalhas de calefação residencial.

Os grandes emissores industriais poderiam ser obrigados – ou estimulados pela tributação de licenças comercializáveis – a capturar suas emissões de CO2 ou a migrar parte de suas operações para células de combustível e eletricidade limpa.

A captura e aprisionamento em usinas a carvão poderia aumentar os custos da eletricidade em apenas 3% por quilowatt-hora, com os custos finais da eletricidade em torno de US$ 0,08 ou US$ 0,09 por quilowatt-hora. Esses custos implicam bem menos que 1% da renda mundial anual para a conversão a uma rede limpa.

Os custos nos outros setores também serão pequenos. A economia de combustível nos carros de baixa emissão poderia facilmente compensar o preço das baterias ou células de combustível. A calefação residencial com eletricidade – ou com calor co-gerado –, em vez de aquecedores domésticos a gás, irá resultar em uma economia líquida, especialmente se combinada com isolamento mais adequado.

As negociações de Bali terão sido bem-sucedidas se o mundo se mantiver decidido a apoiar a adoção rápida de tecnologias de baixa emissão. Questões sobre quem deve levar a culpa, alocação de custos e escolha de mecanismos de controle são menos importantes que o rápido desenvolvimento e implantação de tecnologias, apoiados por mecanismos de controle escolhidos por cada país.

Se as tecnologias menos poluentes se concretizarem a baixo custo, como parece possível, os países ricos terão condições de limpar seus próprios sistemas de energia e, ao mesmo tempo, arcar com parte dos gastos necessários para fazer os pobres realizarem as conversões necessárias.

O controle climático não é um jogo moral. É fundamentalmente um desafio tecnológico prático e solúvel, que, se adequadamente enfrentado, pode ser combinado com as necessidades e desejos de uma economia global em crescimento.

Jeffrey Sachs é diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia (www.earth.columbia.edu
).
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/a_mudanca_climatica_depois_de_bali.html


Supernova mais luminosa pode se reacender I

A Supernova mais Luminosa: A SN 2006gy, descoberta em setembro de 2007, pode ter explodido por um processo conhecido como instabilidade de pares, pelo qual raios gama se transformam em partículas de vida curta em vez de fornecerem calor e pressão para alimentar a estrela.

Supernova mais luminosa pode se reacender
Novo mecanismo de supernovas geraria explosões repetidas
Por JR Minkel

Um novo tipo de supernova ultrapoderosa, descoberto no ano passado, pode explodir de novo, de acordo com um novo estudo. Pesquisadores relatam que a supernova 2006gy se encaixa em um modelo de explosão de estrelas que já deveria ter produzido duas deflagrações e pode gerar ainda uma terceira antes de a estrela esvaecer. Um segundo estudo propõe que a explosão pode ter surgido do casamento de várias estrelas.

A SN 2006gy chamou a atenção dos astrônomos pela primeira vez em setembro de 2007. Com um brilho 100 vezes mais forte que de uma supernova típica, ela se manteve acesa a toda força por impressionantes três meses, quando a maioria de suas equivalentes já teria começado a sumir.

Até oito meses mais tarde ainda brilhava como uma chamada supernova tipo II, a variedade mais comum. A energia liberada indica que a estrela em explosão era um mamute de pelo menos 100 massas solares (sóis).

Geralmente, as supernovas aparecem depois que uma estrela maior que 10 sóis vai gradualmente esgotando seu suprimento de hidrogênio e hélio, que se fundem em elementos progressivamente mais pesados. Incapaz de controlar seu calor para suportar as camadas mais externas, a estrela esgotada implode, projetando seu envelope em um último suspiro de energia nuclear.

Continua

Supernova mais luminosa pode se reacender II

Para explicar a enorme explosão da SN 2006gy, os pesquisadores recorreram a um mecanismo de competição chamado instabilidade de pares, que teoricamente entra em ação para estrelas maiores que 90 sóis. Nesse cenário, que data de 1967, raios gama de alta energia dentro da estrela são convertidos em pares de elétrons e pósitrons, drenando a energia estelar que normalmente manteria sua pressão interna – levando a um colapso prematuro que libera enormes quantidades de energia e luz.

Em um novo artigo na Nature, o astrofísico Stan Woosely, da University of California em Santa Cruz, e seus colegas relataram que as mudanças observadas na quantidade de luz da SN 2006gy são condizentes com um modelo de instabilidade de pares pulsante. Assim, presumem que a massa inicial da estrela era de 95 a 130 massas solares, com um núcleo rico em hélio de cerca de 50 sóis.

Desenvolvido por Woosely e seu co-autor Alexander Heger em 2002, o modelo prevê que a implosão inicial de 110 massas solares liberaria uma massa equivalente à de vários sóis antes de dar início à queima do combustível de carbono e oxigênio, e temporariamente freando o colapso.

Aproximadamente sete anos depois, a instabilidade de pares provocaria uma segunda explosão que emite um pulso menor, porém mais rápido, de material. Normalmente, diz Woosely, a própria estrela, inchada pela idade, absorveria a maior parte da energia de uma onda de choque desse tipo sem liberar luz. Porém, nesse caso, os dois pulsos se colidiriam, gerando “fogos de artifício”.

Continua

Supernova mais luminosa pode se reacender III

“Essencialmente [o primeiro pulso] agiria como uma esponja para sugar a energia, e então reirradiá-la em forma de luz,” diz Nathan Smith da University of California em Berkeley, um membro do grupo que observou pela primeira vez o brilho peculiar da SN 2006gy. O novo estudo “fornece uma confirmação numérica do modelo empírico que propusemos inicialmente.”

Woosely diz que “não apostaria todas as suas fichas” no modelo, em parte porque requer que a estrela inicial perca massa mais lentamente que o previsto por cálculos de evolução estelar, mas acrescenta que “é o melhor modelo disponível.” Ele ressalta que, se o modelo estiver correto, a SN 2006gy pode explodir mais uma vez ou morrer serenamente e se tornar um buraco negro.

Qualquer que seja o mecanismo por trás da explosão, um segundo artigo da Nature propõe que a estrela inicial pode ter se formado da colisão entre uma estrela maior e mais antiga com uma menor e mais jovem. Isso explicaria a presença de hidrogênio na SN 2006gy, embora se pense que o hidrogênio das estrelas grandes se esgota centenas de milhares de anos antes de elas se tornarem supernovas, diz o co-autor do estudo Simon Portegies Zwart, da Universidade de Amsterdã.

Desde a descoberta da SN 2006gy, os astrônomos notaram uma segunda supernova ainda mais luminosa, que foi observada pela primeira vez em 2005, mas que sobreviveu por uma quantidade de tempo normal. Smith nota que uma terceira explosão praticamente se equiparou ao brilho e duração da SN 2006gy, que monopolizou os holofotes.

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/supernova_mais_luminosa_pode_se_reacender.html