Astronomia E Os Mistérios do Universo e da Vida

“A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É esta a emoção fundamental que está na raiz de toda a ciência e arte". (Alberto Einstein).

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“A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É esta a emoção fundamental que está na raiz de toda a ciência e arte". (Alberto Einstein).
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Arquivo de: Novembro 2007

16.11.07

Físicos brasileiros conseguem...

Físicos brasileiros conseguem "despir" buraco negro
Rafael Garcia


Uma dupla de físicos brasileiros conseguiu demonstrar como é possível "despir" um buraco negro para revelar o que há dentro desse estranho tipo de objeto cósmico. Usando conceitos de física quântica, George Matsas e André da Silva, do Instituto de Física Teórica da Unesp, elaboraram um modelo matemático que elimina a "fronteira" do buraco negro, o limite de aproximação a partir do qual não se pode escapar de sua atração.

O objeto, descrito em estudo na revista "Physical Review Letters", porém, é de uma classe especial. Um buraco negro convencional pode se formar a partir do colapso de uma estrela, quando ocorre uma concentração colossal de matéria no espaço de um só ponto, chamado "singularidade".

Sua força gravitacional é tão grande que nada, nem mesmo a luz, consegue escapar da fronteira batizada de "horizonte de eventos" pelos físicos (veja quadro à esquerda). O que Matsas e Silva descrevem, contudo, é o que os físicos chamam de 'singularidade nua', um buraco negro sem horizonte.

Em tese, energia e matéria podem escapar dos seus arredores e, portanto, a singularidade seria observável. Para chegar ao resultado, porém, os físicos tiveram de resolver um problema imposto pela teoria da relatividade geral, de Einstein, que explica a gravidade.

Física fora da lei
"Nós chamamos de singularidade aquilo no qual as equações da natureza quebram, o que é uma situação muito ruim, porque nós físicos acreditamos que tudo pode ser matematizado", diz Matsas. "Mas quão ruim é ter uma singularidade na relatividade geral?

Se ela estiver dentro de um horizonte de eventos, em princípio, tudo bem, porque mesmo que não se saiba descrevê-la, isso não influencia o resto do Universo, já que nada pode escapar de dentro [da fronteira do buraco]". Há problemas, porém, em recorrer à relatividade para analisar o problema.

Uma vez que a singularidade é um ponto infinitamente pequeno, há fenômenos nos buracos negros que só podem ser elucidados pelas equações da mecânica quântica, teoria que explica o mundo das partículas elementares. Acontece que a relatividade e a mecânica quântica são teorias incompatíveis entre si.

E a maneira com que os físicos concebem uma singularidade nua é essencialmente relativística. Um buraco negro pode perder seu horizonte de eventos ao entrar em rotação com velocidade grande o suficiente para "expulsá-lo" por meio de força centrífuga --a mesma força que atira crianças para fora de um carrossel. Mas as equações de Einstein impedem que um objeto entre em um buraco negro com velocidade grande o suficiente para aumentar sua rotação e expor a singularidade.

Barreira energética
Na prática, o que acontece, é que uma partícula teria de romper uma espécie de "barreira energética" intransponível antes de contribuir para que a rotação do buraco negro ultrapasse o limite que o transformaria em singularidade nua.
Analisando o problema do ponto de vista quântico, porém, Matsas e Silva conseguiram fazer em teoria, diga-se logo com que partículas entrassem no buraco negro por meio de um efeito chamado "tunelamento".

É um fenômeno conhecido na física quântica, no qual uma partícula pode atravessar essa barreira energética tomando uma espécie de atalho, desaparecendo de um lado e aparecendo do outro. Não é nenhuma mágica, diz Matsas: "O tunelamento é muito comum em situações microscópicas, só fica mais improvável nas macroscópicas".

Com o trabalho, os brasileiros procuram contribuir para superar o maior desafio atual da física: unificar a mecânica quântica e a relatividade geral em uma teoria só. Pode a descoberta ajudar nessa meta? "Pode ser que sim, mas não é garantido", diz Matsas.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u345911.shtml


EUA barram satélite do Brasi com China

Os Estados Unidos têm imposto restrições ao programa de satélites que o Brasil mantém em parceria com a China. Empresas nacionais que fabricam peças para as naves CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) 3 e 4 têm tido dificuldade para importar peças dos EUA.

E, segundo a Folha apurou, representantes do governo americano disseram a diretores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que não gostariam que o satélite Amazônia-1, de produção 100% nacional, fosse lançado em 2010 a bordo de um foguete chinês.

As restrições não são voltadas especificamente contra o Brasil, mas sim contra sua parceira, potência militar e agora também espacial. Os americanos temem transferir à China, através do Brasil, tecnologias sensíveis, que possam ser usadas em equipamentos militares como mísseis balísticos, satélites-espiões e bombas atômicas.

Quem acaba sofrendo com isso é o setor de inovação tecnológica no Brasil. Pelo menos duas empresas sub-contratadas pelo Inpe para produzir partes do CBERS-3 e do CBERS-4 a Mectron, de São José dos Campos, e a Opto, de São Carlos-- foram impedidas recentemente de comprar equipamentos norte-americanos.

O caso mais grave foi o da Opto, que está montando a câmera do CBERS-3. Neste ano, ela teve de cancelar um contrato de US$ 45 mil com a IR (International Rectifier), uma firma da Califórnia, porque o componente comprado um conversor de corrente altamente sensível não pôde ser embarcado para o Brasil, mesmo depois de pago.

"O departamento jurídico disse ao nosso contato lá que, se ele exportasse, poderia pegar nove anos de cadeia e multa de US$ 1 milhão", disse Mario Stefani, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Opto. O dinheiro foi devolvido, mas o projeto atrasou em seis meses.

Graham Robertson, gerente de Relações-Públicas da IR, diz que não é raro que a empresa seja proibida de exportar depois que se descobre qual é o mercado final do produto. "Nós somos controlados no que diz respeito à China".

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EUA barram satélite do Brasi com China

"Bomb letter".

O veto atinge dimensões orwellianas. Stefani teve um software para desenvolvimento de instrumentos ópticos médicos (comprado dos EUA) travado remotamente em pleno uso, porque ele poderia também ser aplicado em satélites. "A empresa viu no nosso site que nós trabalhamos no CBERS e seus advogados mandaram bloquear o programa", afirma.

"Aí mandaram uma "bomb letter" e eu tive de assinar dizendo que aquilo era só de uso médico". "Bomb letter" é o apelido dado a termos que empresas americanas fazem compradores de seus produtos no exterior assinarem, comprometendo-se a não dar a esses produtos nenhuma destinação que os EUA não aprovariam, como a fabricação de bombas daí o nome.

Em agosto último, a Dell computadores mandou uma carta dessas a um físico brasileiro que comprara duas máquinas da empresa. O termo exigia compromisso de que os computadores não seriam repassados a cidadãos do "eixo do mal" como Irã, Coréia do Norte e Cuba. O cientista denunciou o caso e o Ministério da Ciência e Tecnologia passou uma reprimenda na Dell.

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EUA barram satélite do Brasi com China

Paranóia reforçada.
Limitações à transferência de tecnologia sensível não são novidade, nem exclusividade dos EUA. Vários acordos internacionais regulam o comércio de produtos de uso dual. No caso americano, o Departamento de Estado faz cumprir uma regulamentação chamada Itar (International Traffic in Arms Regulations), que lista uma série de componentes de exportação restrita e classifica os países em vários graus de proibição, de acordo com seu grau de desenvolvimento tecnológico e suas relações com os EUA. Os objetos controlados vão de colas a chips e softwares.

"Depois do 11 de Setembro, essa lei tem sido aplicada de forma indiscriminada", afirma Stefani, da Opto. Ricardo Cartaxo, diretor do programa CBERS, diz que os dois primeiros satélites da série (desenvolvidos na década de 1990) não sofreram embargo. Usávamos um componente feito por uma empresa americana subsidiária da Fujitsu japonesa, mas não conseguimos [comprá-lo agora]. Tivemos de mudar o projeto para utilizar uma parte já montada feita por uma empresa francesa".

Atraso
Segundo Cartaxo, o risco de o CBERS-3 sofrer atraso é iminente. "Um lote de componentes está sendo comprado agora. Fizemos a escolha dos fornecedores alternativos e vamos manter o cronograma", diz. "A aposta é que dá para manter o lançamento em abril de 2010, mas não está fácil, não".

Segundo Fernando Ramos, assessor de Cooperação Internacional do Inpe, a ameaça de militarização do espaço pela administração Bush contribui para agravar as restrições. "Isso tem ocasionado problemas para o Brasil, sim, sobretudo depois daquele ensaio que os chineses fizeram [em janeiro de 2007] e destruíram um satélite antigo deles em órbita", disse. "Os EUA apertaram o cerco à China e aos seus parceiros".

NecNews - Redação Brasil

 

Brasil disputa órbita para satélite com...

Brasil disputa órbita para satélite com países vizinhos

Brasil, Venezuela e países andinos abrem uma disputa pelos céus da América do Sul. Hoje, em Genebra, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, se reunirá com delegações de Colômbia, Bolívia e Peru para negociar uma solução para um impasse na concessão de um espaço orbital considerado estratégico na América do Sul.

A Venezuela, que está aliada ao Uruguai e à China, também quer a aprovação de um espaço orbital para que possa lançar seu satélite Simon Bolívar durante as Olimpíadas de Pequim, em 2008. Costa acredita que a Venezuela poderá financiar o satélite andino.

A autorização para o uso das diferentes órbitas é dada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), que realiza nesta semana em Genebra sua conferência sobre radiocomunicações. “Precisamos dessa posição orbital”, afirmou Costa. Segundo o ministro, o Brasil destinaria R$ 700 milhões ao novo satélite.

A órbita 68, como é conhecida, foi dada aos países andinos há sete anos. Mas o grupo tinha até o fim de setembro para lançar um satélite. Pelas regras internacionais, caso o prazo não fosse respeitado, outro país poderia usá-la. Os países andinos, porém, querem que o prazo seja prorrogado para permitir que possam ter seu satélite.

“A esperança dos países andinos é de que a Venezuela financie a construção do satélite”, afirmou o ministro. A delegação venezuelana nega que esteja envolvida com os andinos. O Peru insiste em que o Brasil não precisaria dessa órbita, já que ocupa outras oito posições. Já os colombianos preferiram não comentar o assunto.

Um assessor do governo de Bogotá alegou que não é conveniente tratar do tema agora, pois as negociações estão em pleno andamento. De acordo com Costa, pelas regras, o Brasil seria o país para quem a concessão seria passada se os primeiros da lista não cumprissem o prazo.

Há poucas semanas, o governo colombiano ligou para o Palácio do Planalto pedindo que o Brasil desse um maior prazo para que pudessem ter seu satélite. “Não queremos problemas com nossos vizinhos. Mas deixamos claro que, se a UIT acatar a prorrogação do prazo, aceitaríamos. Caso contrário, lançaríamos nosso pedido pela concessão da órbita”, explicou o ministro.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.